Inscrições de 15 de maio de 2021 a 25 de julho de 2021.

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Início das aulas no dia 5 de agosto de 2021,
às 20h (Brasília, Buenos Aires) e às 18h (Cidade do México, Bogotá)

Duração do curso: 6 encontros quinzenais.
 

CR-3.2 ISSO TUDO JÁ ACONTECEU

PROPOSTA

Historicamente, a esquerda tem se satisfeito em imaginar o futuro como uma extensão teleológica das forças da civilização e do domínio da natureza. Indagamos se este desejo de futuro ainda é desejável, útil ou até possível. O século XXI tem se revelado como um certo “tempo final” em que colapsam as certezas do passado: a infinitude dos recursos naturais, o precário acordo geopolítico nuclear e a promessa fundadora da civilização ocidental de que o amanhã sempre será melhor do que hoje. Claramente, um dos vários enigmas do nosso tempo é a pergunta: “o que é, então, o futuro e qual deve ser a nossa relação com ele?”

 

Este curso regular busca discutir tal angústia a partir de leituras marginalizadas pelo cânone da esquerda. As leituras em questão pensam, justamente, esse futuro em outros termos: não como extensão linear do progresso atual, mas como deslealdade, recusa, fuga, repetição e ciclicidade. Mesmo variados, todos estão unidos por uma recusa radical do mundo atual. Esta negação, o abandono da esperança pueril, é, por sua vez, o trampolim para uma fecunda reflexão sobre o futuro. Sua estratégia é o ataque; seu afeto, o ódio; sua esperança, a destruição. Entre eles, não encontramos necessariamente uma concordância programática ou identitária, mas sempre a partilha de uma hostilidade em comum e, não raramente, de identidade.

 

Assim, o curso também aborda a questão da violência: não só como conceito e temática, mas também como a realidade nua e crua do mundo em que nós e estas pessoas vivem (e viveram). Direcionado pelos conceitos do Partido Imaginário de Tiqqun e dos abajo comunes de Fred Moten e Stefano Harney, o curso “Isso tudo já aconteceu” organiza suas leituras de referência a partir da ideia de que, embora a violência seja cruel, ela não cria somente vítimas. Ao contrário, constrói e faz parte dum mundo em que as forças da ordem sempre estão combatendo aquilo que escapa ao controle, uma constelação opaca de forças sempre consideradas ilegais de alguma maneira.

 

Nosso curso terá seis encontros quinzenais. Visando aliar a reflexão teórica à experiência prática e pessoal, em cada encontro debateremos a leitura prévia em conjunção com observações sobre alguns acontecimentos recentes. Nós, docentes, convidamos os/as estudantes a partilhar suas impressões a respeito destes acontecimentos e dos textos em debate não só como observadores externos, mas também como aliados dessa hostilidade em comum. Logo, a temática do curso não visa oferecer respostas claras sobre uma questão definida, pois esta mesma questão é o produto em andamento de reflexões pessoais que partem da dificuldade de viver os tempos atuais. Assim, queremos debater e aprender com os/as estudantes alguns caminhos que podem vir a ajudar a trilhar o hoje e o amanhã.

Calendário de encontros

 

- Encontro 1: Introdução ao curso. Como pensar o futuro a partir do momento presente? (Esta não é uma pergunta óbvia.) (05 de agosto de 2021)

- Encontro 2: O que é o agora? (19 de agosto)

- Encontro 3: O que recusamos? (02 de setembro)

- Encontro 4: O que nos une e o que nos separa? (16 de setembro)

- Encontro 5: O que interrompemos? (30 de setembro)

- Encontro 6: Isso tudo já aconteceu. (14 de setembro)

Materiais de referência

ANÔNIMO. Uma carta de solidariedade do ano 3017. Trad. Felipe Moretti e Thiago Sá. Medium. 20 out. 2019. Disponível em: <https://medium.com/@felipemoretti/uma-carta-de-solidariedade-do-ano-3017-6a74c904f2d9/>. Acesso em: 29 nov. 2020.

BADIOU, Alain. Crueldades: 26 de enero de 2000. In: El siglo. Buenos Aires: Manantial, 2005. 

CONCERNING VIOLENCE. Direção: Göran Olsson. Produção de Final Cut for Real e Helsinki Filmi Oy. Dinamarca/EUA/Finlândia/Suécia: Films Boutique, 2014. DVD.

HARNEY, Stefano; MOTEN, Fred. Los abajo comunes: planear fugitivo y estudio negro. (s.d.). La Campechana Mental, Cidade do México. 

FANON, Frantz. A violência. In: Os Condenados da Terra. Lisboa: Ulissea, 1961. 

FILHOS DA ESPERANÇA. Direção: Alfonso Cuarón. Produção de Strike Entertainment. EUA/Reino Unido: Universal Pictures, 2006. DVD.

MOMBAÇA, Jota. Veio o tempo em que por todos os lados as luzes desta época foram acendidas. Buala. 28 dez. 2018. Disponível em: <https://jotamombaca.com/texts-textos/veio-o-tempo/>. Acesso em: 29 nov. 2020.

OANAD, Max. Um tratado sobre os antigos poderes. Trad. Felipe Moretti e Thiago Sá. Gods & Radicals: a Site of Beautiful Resistance. 19 mar. 2020. Disponível em: <https://medium.com/@thiago.sa/um-tratado-sobre-os-antigos-poderes-max-oanad-63a100c0d41d/>. Acesso em: 29 nov. 2020.

POSTONE, Moishe. Repensando o capitalismo e seus futuros. Trad. Diogo Lambrego de Matos. Verinotio:Revista online de Filosofia e Ciências Humanas. ano XI, n. 22, out. 2016.

ROBINSON, Idris. Como poderia ser feito. Trad. Coletivo Máquina Crísica - GEAC. Máquina Crísica. 28 set. 2020. Disponível em: <https://maquinacrisica.org/2020/09/28/como-poderia-ser-feito/>. Acesso em: 29 nov. 2020.

TARÌ, Marcello. Aos amigos e amigas do deserto. GLAC Edições. Disponível em: <https://www.glacedicoes.com/post/aos-amigos-e-amigas-do-deserto-marcello-tar%C3%AC/>. Acesso em: 29 nov. 2020.

TIQQUN. Tesis sobre el Partido Imaginario. Tiqqun 1. Órgano consciente del Partido Imaginario: Ejercicios de Metafísica Crítica. (s.d). Disponível em: <https://tiqqunim.blogspot.com/2013/01/partido.html/>. Acesso em: 29. nov. 2020.

 

Idioma no qual serão oferecidas as aulas: português

Idiomas de comunicação dxs docente: português e espanhol

Felipe
Moretti

Originalmente de Brasília, me formei em sociologia na UnB. Vivo atualmente no Rio, onde faço mestrado em antropologia no Museu Nacional. Lá, pesquiso as histórias da comunidade cearense do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, destruída pelo Estado varguista em 1936, mas que, até então, vivera a fuga para “algo inteiramente diferente”. Sou teórico razóavel, mas acho que cozinho melhor. Minha posição política: viver o comunismo, espalhar a anarquia.

Laura
Carvalho

Eu sou de Brasília, mas atualmente vivo no Rio de Janeiro. Tenho contato próximo com anarquismo e movimentos sociais autônomos desde a adolescência. Durante minha graduação em Ciências Sociais, desenvolvi pesquisa sobre a imaginação política, fazendo um exercício ficcional de fabulação em torno de corpos racializados e sexos dissidentes. Neste momento, tenho me voltado para reflexões relacionadas com grandes projetos, especificamente energia nuclear e o programa nuclear brasileiro.